sexta-feira, 18 de maio de 2012

'Esse segundo turno vai acontecer. Ele vai e eu vou contra ele'

Jornal O Dia
13/05/2012, Rio

O deputado vai tentar provar que o trio Paes-Cabral-Dilma não resolve tudo no Rio de Janeiro

Por Rozane Monteiro

Rio - Pré-candidato à Prefeitura do Rio, o deputado federal Otavio Leite (PSDB), 50 anos, confia no perfil juscelinista para chegar ao 2º turno na corrida ao Palácio da Cidade. Afilhado do ex-presidente da República, ele aposta que pode fazer ‘40 anos em 4’. Protegido por uma cinta, por conta das dores que ainda sente depois de um acidente de carro em abril, o tucano, em entrevista concedida segunda-feira (7), disse que usaria no programa eleitoral fotos da viagem do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), à França, em 2009, ao lado de Fernando Cavendish, então chefão da Delta, que tem negócios com o estado. Para ele, o escândalo também atinge o prefeito Eduardo Paes, da base aliada.

ODIA: O senhor nasceu em Sergipe há 50 anos. Como veio parar no Rio?

OTAVIO LEITE: – Sou de Aracaju, de uma família tradicional. Meu avô foi senador, meu pai foi deputado. Era muito comum as famílias mandarem estudar fora. Fui criado pelo meu avô (paterno). Me mudei há 48 anos, lá se vai uma estrada de conhecimento. Moro na Barra da Tijuca, mas a minha alma é o cosmopolitismo de Copacabana, onde eu fui criado. A minha formação política se dá muito em movimentos populares, acompanhando os movimentos sociais no tempo de Marcello Alencar prefeito, eu garoto, rodando a Zona Oeste. Fui coordenador das regiões administrativas, isso me deu oportunidade de mergulhar nos problemas da cidade. Ali foi a grande oportunidade para conhecer de fato o Rio. Minha formação veio do PDT. O Brizola era um líder. Nessa árvore genealógica da política do Rio de Janeiro, o genoma Brizola é muito forte. Tem que se reconhecer isso.

Que alianças o senhor vai buscar na disputa pela Prefeitura do Rio? De quem o senhor não aceitaria apoio de jeito nenhum?

Eu não terei qualquer dificuldade de assimilar o apoio de todos os que estão no campo de oposição no segundo turno. Essas decisões serão evidentemente precedidas de uma pública especificação de uma plataforma: por que estarão me apoiando, para defender o que, para lutar por isso ou por aquilo, para, portanto, desenvolver um programa específico. Então, eu não tenho essa insegurança, porque o comando do governo será nosso.

Então, não tem ninguém de quem o senhor recusaria apoio?

Não, de jeito nenhum. Venham todos.

E o fator Aspásia Camargo, deputada estadual do PV, que já foi apontada como candidata em potencial a sua vice, mas que colocou a pré-campanha à prefeitura na rua?

Olha, Aspásia... É minha amiga pessoal. Prosseguimos conversando. Ponto.

Qual é o prazo limite para definir o seu vice?

A lei permite que seja até 30 de junho. Então, eu não estou com pressa. Não estou nem um pouco ansioso. Há muito tempo ainda pela frente.

Pode ser do PSDB?

Vamos aguardar tempo e placar...

Vai depender de pesquisa que o senhor já está fazendo ou pretende fazer?

Nós não estamos fazendo pesquisa. Ver a dos adversários é mais barato. São pesquisas que rolam por aí, estão nos corredores da Alerj, do Congresso Nacional... Nesse instante, não há necessidade de pesquisa. Um pouco mais adiante, em junho, é necessário fazer uma pesquisa para sentir eixos de campanha que a gente pretende adotar como linhas mestras de trabalho, para dar uma situada. Eu vou à televisão agora no final do mês, no programa eleitoral, e aí, eu vou entrar em campo. Depois dessa propaganda eleitoral, eu, oficialmente, estou em campo.

O senhor tem três minutos de TV. Se juntar com o PV, vai para quanto?

Três minutos e 40. Com três dá um samba.

Então o senhor não precisa do PV?

O gigantismo às vezes é problema. Com os três minutos, eu vou adiante, três minutos significam um tempo bem razoável, dá para trabalhar. É só aumentar a taxa de criatividade.

Como o senhor vai usar as redes sociais para resolver o problema da falta de tempo na TV?

Vamos fazer uma mobilização da juventude do partido, de vários segmentos próximos a mim. O tempo dedicado — eu pessoalmente — ao Facebook tem que aumentar. Mas a questão é menos quantidade e mais qualidade. Tenho que ter cuidado para não derrapar. As redes sociais são o que vai permitir mais democratização do processo.

E a vereadora Andréa Gouvêa Vieira (do PSDB, que declarou que não vai votar no senhor e vai apoiar Marcelo Freixo, do PSOL)?

Andréa Gouvêa é tão somente uma página virada. Ponto.Ela anunciou que se licenciará (do partido) e ponto final. É uma página virada. Nada mais que isso. Meu nome foi referendado pelo diretório municipal, pelo diretório estadual e por unanimidade pelo diretório nacional.

Ela é a vereadora mais atuante do partido hoje no Rio. O senhor acha que pode passar pela cabeça do eleitor: “Ele não consegue convencer a companheira do partido, como é que vai convencer o eleitor?”

Não é questão de convencer ou não convencer. É uma questão de respeitar uma decisão interna do partido. Agora, isso é uma novidade? Não, não é novidade. Ela sequer fez a campanha do Serra para presidente da República. Achou que estava errada a aliança que fez, etc, e ponto final. Tomou uma decisão. É decisão dela. Paciência. Ela é uma página virada. Não passa de uma página virada.

O senhor está convencido de que o prefeito Eduardo Paes vai para o segundo turno?

Acho que esse segundo turno vai acontecer e, no mano a mano com ele, vai ser muito interessante. Ele vai e eu vou para o segundo turno contra ele.

Uma das bandeiras do prefeito é a harmonia com o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidenta Dilma Rousseff (PT). Quando o senhor se coloca como oposição não corre o risco de assustar o eleitor, que pode pensar que alguma obra pode parar, por exemplo?

Em primeiro lugar, eu, eleito prefeito, não terei qualquer dificuldade de diálogo com o governador nem com a presidenta. Agora, essa verdade absoluta, de que os três juntos é que resolvem, nós vamos desmistificar. Pelo menos em dois setores da administração pública essa unidade não trouxe os benefícios que, em tese, poderia ter apresentado para o Rio de Janeiro. Na saúde e no transporte é cada um por si e Deus por todos. Então, é uma farsa essa discussão de que essa unidade salva o Rio. Não. E tem mais, a tão festejada vitória das Olimpíadas não é um fato de agora, é um processo que vem desde 1997, quando Fernando Henrique criou pela primeira vez um grupo específico para trabalhar a candidatura do Rio. Então, as Olimpíadas não são uma vitória deste governo. É uma vitória de vários que contribuíram, inclusive deste governo. Então, não é essa unidade que assegura tudo.

Que projeto do prefeito o senhor alteraria?

O primeiro ato nosso vai ser alterar o contrato do Porto Maravilha para impedir a derrubada da Perimetral. Um bilhão e meio de reais, aproximadamente, de recursos — aliás, financiados pelo FGTS, que se presta à casa própria — para derrubar viaduto? Não faz o menor sentido. Isso aí é um delírio. Uma solução viária discutível. A manutenção do Elevado não afeta em nada o programa Porto Maravilha. Eu não tenho nada contra readensar aquela área do ponto de vista empresarial, comercial e etc. Agora, é evidente que não faz sentido derrubar aquele viaduto para colocar um engarrafamento que já existe de um quilômetro e meio no subsolo, numa área que tem um lençol freático à flor da pele, que é uma área aterrada. Eu estudei tudo sobre aquilo ali. Esse bem é da União. Não há uma autorização legal para a prefeitura derrubar. Logo, o prefeito não pode derrubar o que não é dele.

Que outra medida imediata o senhor tomaria?

O outro ponto vai ser chamar as instituições de pessoas com deficiência e duplicar os repasses que recebem hoje porque nesse campo a prefeitura é de uma insensibilidade atroz. Nós vamos criar um programa de atendimento a pessoas com deficiência, ponto a ponto, através de vans adaptadas. A proposta é criar um serviço específico para atender o deficiente no seu deslocamento, buscá-lo praticamente em casa.

Quais seus planos para o servidor?

Acabar com a farra do consignado. Tem que fazer uma licitação: ganha quem oferecer menos taxa de juros para a recomposição das dívidas. O servidor está atolado em dívidas por conta do sonho do consignado. Enquanto o País diminui taxas de juros, não houve uma diminuição do consignado no Rio. A outra proposta nossa para os servidores é criar um modelo de recuperação salarial, que tem sempre que se dar quando aumentar a arrecadação.

O que o senhor diz sobre a aproximação de Paulo Henrique, filho de Fernando Henrique Cardoso, à campanha do Freixo?

(Risos) Ai, ai... (Suspiro). Em relação aos Cardoso, o que me importa é o Fernando...

Ele estará na campanha?

Lógico que vai estar. Todos os tucanos vão estar. O Aécio (Neves), o (Geraldo) Alckmin, o (José) Serra.

O José Serra ajuda ou atrapalha?

O Serra é um grande quadro na política, teve votação significativa para presidente, ele ajuda.

O que o Aécio se propõe a fazer para lhe ajudar? Ele virá sempre ao Rio?

Ele vai gravar programas, eventualmente participar de alguns eventos, etc e tal. E vai pedir o voto...(risos)

O Aécio vem morar no Rio?
 
(Risos) Ele vai pedir voto aos conterrâneos... Mineiros e cariocas... Ele é um somatório de ambos, né?

De qual empresa o senhor não aceitaria doação de campanha?

De qualquer uma que tenha sido condenada (pela Justiça) ou seja objeto de CPI ou que tenha sido decretada inidônea pelo Poder Público.

O senhor vai divulgar os nomes de seus doadores?

Vai ser absolutamente aberto. Quem quiser me apoiar que venha me apoiar. Agora.... sem toma lá, dá cá. Eu espero que o partido me apoie!

Existe alguma dúvida em relação ao apoio do PSDB nacional?

Não, mas porque existe muita gente em cima deles (da direção nacional), atrás de apoio também. Tem muito candidato, mais de mil candidatos a prefeito.

O debate nacional travado entre PSDB e PT será usado em sua campanha?

Eu acho o governo Dilma muito ruim. Ministros, e não foram poucos, caíram por fraude. E os escândalos não param.

O que o senhor acha das fotos divulgadas do governador do Rio, Sérgio Cabral, e de seu secretariado na Europa, ao lado do então dono da Delta, Fernando Cavendish?

Acho que houve uma indiscutível simbiose entre o público e o privado. Não sou membro da CPI, mas solicitei o requerimento de apresentação do Cabral (na CPI).

Como o senhor acha que isso afeta a reeleição do Eduardo Paes no Rio?

Queria lembrar que a Delta é a empresa que mais obras tem no PAC. Acho que a CPI tem que apurar tudo, doa a quem doer. A relação de contradição entre PT e PSDB é explícita. Também é bom lembrar que o PT é Eduardo (Paes) e que Eduardo é PT.

O senhor acha que o Cabral vai ser convocado?

Se a CPI quebrar o sigilo da Delta, eu não tenho dúvidas de que a convocação (do governador) será inevitável.

Se a campanha começasse amanhã, o senhor divulgaria as fotos do governador em seu programa?

(Pausa) Se eu colocaria aquelas fotos? (Pausa) Eu conversaria com os companheiros de partido e com a coordenação de campanha. Mas é evidente que seria excelente ilustração para explicar o que não pode ser uma relação entre um prestador de serviço e o poder público.

O senhor acha que o PMDB está blindando o Cabral para ele não depor na CPI?

Nooossa. Foi uma operação de abafa no Senado. E ele.... pá..... ficou quieto.

Por que o ex-presidente Juscelino Kubitschek batizou o senhor?

O meu pai era juscelinista e mandou uma carta para o JK. Não tinha proximidade nenhuma. E aí, eu esperei um ano e meio para ser batizado. Quis o destino que eu conhecesse a Maristela (filha de JK) e aí fui conhecendo mais o JK.

Se o senhor pudesse, o elegeria presidente de novo?

Sim. Porque ele queria ver o País para frente. Era tolerante, era democrata. E o que eu pretendo, parodiando JK, é fazer 40 anos em quatro, em prol dos deficientes do Rio de Janeiro. Essa relação para mim é uma fonte de inspiração para agir na área pública.

Em que político brasileiro o senhor não votaria de jeito nenhum?

(Pausa) Em qualquer um que tenha sido condenado por improbidade administrativa.

E no Collor?

De jeito nenhum.

O senhor jura que não vai, mesmo, nos dizer quem será seu vice?

Não. Ainda estamos em conversação.


Foto: João Laet / Agência O Dia

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Eleições/Rio: Tucano Otavio Leite em voo solo

Portal R7

 

Rio de Janeiro - Dos três principais adversários do prefeito carioca Eduardo Paes, favorito à reeleição _ Rodrigo Maia (DEM-PR), Marcelo Freixo (PSOL) e Otavio Leite (PSDB) _ o que me pareceu mais isolado neste momento da campanha, a cinco meses das eleições, é o candidato tucano.

Embora já tenha tido um presidente da República e seja o principal partido de oposição ao governo federal desde 2003, no Rio o PSDB foi definhando desde o final do governo de Marcelo Alencar, em 1998, e hoje se alinha com o grupo dos nanicos na política fluminense.

Ex-vereador, ex-vice prefeito (de Cesar Maia), ex-deputado estadual e agora deputado federal em segundo mandato, o próprio candidato reconhece esta fragilidade, ao lembrar que o partido apostou durante muito tempo no governador Sergio Cabral e no prefeito Eduardo Paes, dois ex-tucanos que foram para o PMDB e construíram uma monumental aliança de 19 partidos.

"É o que nós intitulamos de mexicanização da política no Rio de Janeiro. Já aconteceu na última eleição para governador. Dos 92 prefeitos, 91 apoiaram o governador Cabral. Isso não há em nenhuma democracia do mundo. É um processo de aliciamento impressionante que se faz", constata Leite.

Para enfrentar a máquina que une os três níveis de governo em torno da reeleição de Paes, o sergipano Otavio Leite, 50 anos, advogado, casado, dois filhos, não conta até o momento com a ajuda de nenhum cacique tucano de expressão nacional.

Em vôo solo, o candidato do PSDB, um partido em que a militância nunca foi o forte, ainda não fechou nenhuma aliança e terá apenas três minutos na televisão, contra no mínimo 15 do atual prefeito. Mesmo assim, ele se mostra bastante animado com a sua candidatura.

"Nos vamos enfrentar esta máquina apresentando propostas, mostrando que realmente há caminhos alternativos e que, independentemente do governador ser de outro partido e a presidente de outro partido, eu como prefeito vou lidar administrativamente com eles, presidindo meus atos em função dos interesses da cidade".

Otavio Leite quer mudar radicalmente as prioridades da cidade, que ele resume hoje em "cimento, tijolo e concreto". Para isso, ele promete "colocar as pessoas em primeiro lugar".

Apaixonado pelo Rio, ele conta em entrevista exclusiva ao R7, que conheceu a cidade por dentro quando foi coordenador das 30 regiões administrativas em que se divide a cidade, durante a gestão de Marcelo Alencar.

Por conta de um acidente de carro que sofrera dias antes, a entrevista foi transferida do seu escritório político no centro para o Marina Barra Clube, um belo lugar às margens do canal de Marapendi, na Barra, perto de onde ele mora.

"Eu organizava as chamadas prefeituras itinerantes. Naquele período, fizemos 163 prefeiturtas itinerantes e ali eu pude mergulhar nos problemas do Rio. Procuro estudar os problemas da cidade e acho que esta oportunifdade de ser prefeito é um espaço maravilhoso para concretizar ideais, para mexer em estruturas e dar uma guinada em alguns cantos da administração que precisam realmente de uma atenção especial".
Peço para o candidato dar um exemplo e ele responde de primeira: "As pessoas com deficiência. Nós temos no país, segundo o último Censo, 23% da população com algum tipo de deficiência. E infelizmente na nossa cidade nós não avançamos nada neste setor. Vamos colocar as pessoas em primeiro lugar, a paisagem humana, o ser humano, os indivíduos".
Para ajudá-lo nesta tarefa, caso eleito, ele até já pensou em alguns nomes. "Há muitas mentes brilhantes na cidade. No campo fazendário, nós temos um patrimônio formidável, porque todo o grupo que criou o Plano Real é do Rio de Janeiro. E eu sugeriria a eles indicarem o meu secretário da Fazenda, entre qualquer um: Gustavo Franco, Edmar Bacha, Elena Landau".

Seu primeiro ato na prefeitura seria impedir a demolição do Elevado da Perimetral, prevista no projeto Porto Maravilha. "São 100 mil carros que passam por lá diariamente. Este elevado não será derrubado. Eu vou garantir isso na campanha, é um compromisso nosso. Porque gastar R$ 1,5 bilhão com a derrubada deste elevado é evidentemente uma insensatez".

Leite sabe que precisa tomar muito cuidado com o que promete porque foi dele a iniciativa de uma lei aprovada na última reforma eleitoral obrigando todos os candidatos a registrarem seus programas de governo até o dia 5 de julho.

"Depois da eleição, o eleitor poderá cobrar e conferir se aquilo que foi proposto em campanha está sendo executado na prática". E se não for cumprido, o que acontece?, pergunto a ele. "Eu acho que aí nós temos o fundamento jurídico do recall. Ou seja, do impeachment legal".

Esta é a grande novidade para as eleições de outubro, não só no Rio, mas em todo o país: quem prometer vai ter que cumprir, ou pode perder o cargo.

Veja a íntegra da entrevista e o vídeo gravado com o candidato do PSDB.

Comissão de Justiça do Senado aprova PEC da Música

Ascom Dep.Otavio Leite
09/05/2012, Brasília

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (09/5) a proposta de emenda à Constituição (PEC 12/11), de autoria do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que isenta de impostos CDs e DVDs com obras musicais de autores brasileiros. Conhecida por PEC da Música, seu objetivo é reduzir o preço dos produtos ao consumidor e, assim, desestimular a venda de reproduções piratas. A matéria segue ao plenário da Casa para votação em regime de urgência.

A iniciativa livra de impostos CDs e DVDs produzidos no Brasil “contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham”. O benefício, no entanto, não alcança o processo de replicação industrial, que continuará a ser tributado.

“Ao colocar na Constituição que não poderão ser inseridos impostos na música brasileira, damos um grande passo para fortalecer ainda mais o mercado formal de música, combatendo a pirataria e criando oportunidades para novos músicos”, comemorou Otavio Leite.

O relator da proposta na CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), recomendou a aprovação da matéria. Também se manifestaram a favor da proposta os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE), Francisco Dornelles (PP-RJ), Magno Malta (PR-ES), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Ricardo Ferraço (PMDB-ES).
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em seu expediente final o deputado Luiz Paulo discursou sobre a distribuição de energia, em especial na Zona Oeste, onde as medições, agora com medidores digitais não estão acontecendo de forma correta. O deputado pede para que o Inmetro faça aferições nos marcadores para atestar a veracidade dos mesmos, pois as contas dos moradores estão chegando com valores nunca vistos.

” Sr. Presidente, Srs. Deputados, conversei há pouco, em plenário, com a Deputada Lucinha, que me trouxe uma grande preocupação sua com segmentos da população da Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro e que também deve ser de outras comunidades da Cidade do Rio de Janeiro onde a distribuição de energia está sob a égide da Light. Como sabe V.Exa. o Estado do Rio de Janeiro tem parte da sua rede, principalmente no interior do Estado e na Baixada Fluminense, sob a jurisdição da Ampla; na capital e também em alguns segmentos até da própria Baixada, sob a jurisdição da Light.
E a Light, no sentido de buscar o aumento da sua arrecadação e diminuir o número de gatos, vem trocando os relógios por marcadores digitais. Processo similar já havia feito a Ampla, profundamente discutido nesta Casa.
E o que tem acontecido? Na troca de relógios, muitas vezes a conta sobe quatro vezes, fazendo com que, para os moradores de comunidades carentes, ela se torne impagável.
A primeira questão que observava a Deputada Lucinha é: como pode um mês antes a conta que era x, um mês depois mantidas as mesmas bases de consumo e só porque mudou a forma de controle, a conta ser y quatro vezes maior.
Afirmar que houve perda de energia naquele imóvel, é muito vago, pois isso se repete com muitos e muitos imóveis. Então, a primeira preocupação que nos vem à tona é se os relógios digitais atuais estão devidamente aferidos pelo Inmetro. Porque se não estiverem, os outros estariam errados, e não é um, são centenas, porque essa é uma demanda de muitas comunidades.
É necessário, primeiro: que o Inmetro faça essa aferição nem que seja de forma aleatória. Segundo: há que se criar a tarifa social de energia. Porque incide sobre a energia uma alíquota de 30% de ICMS; 25% de alíquota adicional de ICMS, e mais 5% destinados ao Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Então, o cidadão que paga uma conta de R$ 100,00 por mês, R$ 30,00 no mínimo – porque é mais, o cálculo é por dentro – vão para o pagamento de ICMS.

Há que se criar uma alíquota social nos mesmos moldes existentes na Cedae para alíquota de água e esgoto, isto é, o cidadão que consome até tanto, aquele primeiro impulso tem uma alíquota menor. Daí para frente, a alíquota ganha os padrões normais.

Primeiro, se educa a população como um todo a economizar energia: segundo, faz com que aqueles que se encaixam nos parâmetros da alíquota social, sejam adimplentes. Com isso, se combate a negociação e também as ligações clandestinas.

A alíquota social não pode ser única e exclusivamente aplicada àqueles que estejam cadastrados no Programa Bolsa Família. Deve ser em função desse consumo mínimo como se faz hoje na Cedae, senão teremos um eterno conflito. Imagine que a conta do cidadão venha R$ 300,00 por mês; para quem ganha um salário mínimo, não tem condições de pagar. A Light vai e corta a energia. Hoje uma família não pode viver sem energia elétrica, até porque temos questões de saúde, tem gente que faz nebulização, tem gente que precisa tomar banho com água quente, tem tantas e tantas coisas, tem mamadeira que precisa ficar na geladeira e não dá para uma família viver sem energia elétrica, já passou esse tempo. E, ao mesmo tempo, as pessoas que têm pouca renda fazem questão de ter o seu carnezinho e pagarem as suas contas. Tem aí uma instituição comercial que vende produtos eletrodomésticos, entre outras coisas, em prazo muito longo para fidelizar seus clientes e seus clientes pagam suas contas exatamente para continuar a ter crédito e às vezes pagando juros exorbitantes. Então, a Light também tem que buscar essa tarifa social e um parcelamento de longo prazo para, porventura, quem seja devedor.

Há que se buscar uma saída, porque senão essas pessoas serão obrigadas muitas vezes a cometerem alguma coisa que hoje está tipificado como crime, que são as ligações clandestinas, com risco de incêndio, curto circuito, etc. Mas há que se buscar um caminho, sabemos que a Light não é uma empresa de caráter de benemerência, mas uma empresa que administra uma concessão do Estado. Também sabemos que as unidades que estão ligadas à Light, se a inadimplência for muito alta, eles vão ter que também recolher o ICMS daqueles que não pagaram, muito pouca gente sabe disso.

Então, se eu devo, por exemplo, se for emitido no meu nome mil reais de conta, a Light é obrigada a recolher R$ 300,00 de ICMS pague eu ou não, porque quem está devendo é a Light em relação ao Estado. Ela não tem razão nenhuma para insuflar a inadimplência, ao contrário, quanto melhor for os pagadores, melhor.

Mas é necessário também que o Governo do Estado que apesar da cota do fundo e da energia ter diferencial de alíquota em cima de consumo poderia ter um ICMS muito menor para as unidades residenciais de pequeno consumo e de renda familiar baixa como forma de você fazer também uma justiça social e fazer o que nós chamamos de benefício cruzado. É assim na água e assim tem que ser na energia elétrica.

Muito obrigado, Sr. Presidente.”

Deputado pede ao TCU que analise contratos da Delta no Rio

BRASÍLIA - O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) entrou nesta terça-feira com representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que sejam analisados os contratos da prefeitura e do estado do Rio de Janeiro com a Construtora Delta. A empreiteira aparece na investigação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que apura as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários.

- O fato é que a prefeitura do Rio de Janeiro e o Estado do Rio de Janeiro têm contratos milionários com a Delta, financiados com recursos federais. Logo, acionei o Tribunal de Contas da União para que se promova uma auditoria em todos esses contratos. É preciso apurar, pois licitações fraudulentas podem estar ocorrendo em todo o Brasil - destacou Otavio Leite.

Na representação, Leite pede que seja fiscalizada a aplicação de recursos federais na execução das obras e serviços do projeto da Transcarioca, no Rio, estimado em R$ 1,6 bilhão. A obra estaria incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana.

O deputado também indica, em seu requerimento ao TCU, notícia publicada no GLOBO, que aponta que investigação da Polícia Federal mostra que a empresa Delta tem mais de R$ 1 bilhão em contratos com o município do Rio.

Jornal O Globo online


segunda-feira, 16 de abril de 2012

PSDB volta a apresentar um cabeça de chapa na capital depois de 12 anos fora da disputa

Jornal O Estado de São Paulo
15/04/2012, Política

No Rio, PT e PSDB são apenas coadjuvantes
Por Alfredo Junqueira

Protagonistas na política nacional, PT e PSDB vão desempenhar papel secundário nas disputas eleitorais deste ano no Estado do Rio de Janeiro, que reúne o terceiro maior contingente de votos no País com 11,6 milhões de eleitores. Os diretórios regionais dos dois partidos estabeleceram a ampliação de cadeiras nas câmaras municipais como meta principal nos pleitos de outubro.

Pela primeira vez desde a redemocratização, os petistas não terão um candidato à Prefeitura do Rio. O partido optou por indicar o vereador Adilson Pires como vice na chapa do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição. O PT será uma das 19 legendas que vão apoiá-lo já no primeiro turno.

Os petistas fluminenses acreditam que cumprem uma 'cota de sacrifício' por causa do projeto nacional do partido. 'Sabemos que a maneira como abrimos mão de participar das disputas ao governos nos tira o protagonismo. Mas isso faz parte. Somos um partido nacional. Temos clareza da cota que estamos pagando para reeleger o Lula e eleger a presidente Dilma Rousseff', explicou presidente regional do PT, Jorge Florêncio, referindo-se às alianças com o PMDB em 2006 e 2010.

Segundo o dirigente petista, o partido projeta dobrar o número de vereadores dos atuais 75 para 150. 'A questão da vereança é muito importante, pois cria muita capilaridade no Estado', disse.

Já o PSDB volta a apresentar um cabeça de chapa na capital depois de 12 anos fora da disputa. O deputado federal Otavio Leite é o candidato no Rio. Os tucanos, no entanto, devem ficar sozinhos na capital. Aliado preferencial no cenário nacional, o DEM optou por lançar o também deputado federal Rodrigo Maia na disputa. O PPS, outro partido de oposição no campo federal, já aderiu a Paes. Assim como o novato PSD. Os tucanos ainda tentam um acordo com o PV carioca, mas os verdes devem lançar a deputada estadual Aspásia Camargo.

'Existe na política brasileira um processo de mexicanização. O partido que mais cresce no País é o PG, Partido do Governo. Não se valoriza no País algo que é fundamental numa democracia: oposição', disse o presidente regional do PSDB, deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. 'Eu continuo resistente. E estou esperançoso. Se conseguirmos eleger os 90 vereadores que esperamos, vamos ter permeabilidade para fortalecer as nossas candidaturas majoritárias. Inclusive, a de presidente da República', disse o tucano.
Apostas. Apesar da falta de alianças na capital, Otavio Leite acredita que pode fazer sua candidatura decolar com o apoio de lideranças nacionais tucanas. No lançamento oficial de sua candidatura, no próximo dia 20, o discurso final será do senador Aécio Neves (MG).

'Há um forte eleitorado tucano aqui no Rio, vide as votações de Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e José Serra. Nosso objetivo é agregar esse núcleo tucano que está aí e atrair esses segmentos para a nossa candidatura', disse Otavio Leite, que está em seu segundo mandato como deputado federal e já foi três vezes vereador, uma vez deputado estadual e vice-prefeito da cidade na gestão Cesar Maia (DEM), em 2005 e 2006.
Candidato à Prefeitura de Niterói, Rodrigo Neves, deputado estadual e secretário de Estado de Assistência Social, é a principal aposta do PT fluminense para as disputas pelos executivos municipais este ano.

Aos 35 anos, sociólogo formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do PT desde 1990, Neves foi derrotado em 2008 pelo atual prefeito e candidato à reeleição Jorge Roberto Silveira (PDT). A alta rejeição do pedetista e bom desempenho de Neves nas pesquisas faz com que ele já seja bajulado por lideranças nacionais do partido.

Há duas semanas, o líder do partido na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e deputados da bancada federal e estadual foram a Niterói jantar com ele. Neves também já recebeu telefonemas do presidente nacional do partido, Rui Falcão, e disse que conta com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff na cidade durante a campanha.

'Entre as 118 cidades que o PT estabeleceu como prioridade esse ano, Niterói está entre as 10 mais importantes. A conquista da prefeitura pode representar para o PT o projeção de novos quadros e lideranças no Estado', afirmou Neves.

Atualmente, o PT controla oito das 92 prefeituras fluminenses, que reúnem cerca de 809 mil eleitores. Em 2008, o partido havia conquistado 10 municípios. Com a eleição de Lindberg Farias ao Senado em 2010, os petistas perderam Nova Iguaçu (548.643 eleitores). Já a cassação do prefeito Jorge Mario Sedlacek, por suspeitas de desvio de verbas para obras contra enchentes, tirou do partido o município de Teresópolis (119.580 eleitores).

Já o PSDB comanda apenas três cidades fluminenses atualmente, com cerca de 156 mil eleitores. O partido elegeu oito prefeitos em 2008. Dois seguiram para o PSD. Outra baixa foi o ex-presidente da legenda no Estado José Camilo Zito. Prefeito e candidato à reeleição em Duque de Caxias (594.534 eleitores), ele se filiou ao PP em outubro do ano passado.